Um dia, vi em seus olhos: grossas e fartas lágrimas
não contive, não a detive
Apenas pensei que o tempo, em seu átimo inevitável, pudesse ao menos me dar o lastro do eterno, ao aprender que não permanecemos estáticos para sempre. Toda dinâmica de seu beijo, de seu abraço o qual pude sentir o pulsar de seu coração às costas, manteve-se vivo em mim. Não digo só de memórias, pois essas se vão como nuvens apressadas e arredias.
A prisão de meus braços entrelaçados aos teus
a eternidade reportada em origamis e tsurus: a casa - por vezes vazia - ainda guarda teus restos
ainda guarda um porém de sua personalidade
e um aquém das coisas que eu poderia ter feito (melhor), mas por imaturidade não fiz
E o ultimo beijo ecoa pelas paredes, pelos sons de Arnaldo Antunes e na lembrança do seu riso largo e singelo.
Não a detive, não a contive: apoiei seu voo e sua ausência. E bebi das fontes de saudades que emanam impiedosas ao sabor dos anos. Não há volta, não há sinais. E eu - resignadamente - não espero.